17 fevereiro 2017

Testemunha da História

11:24


Desde o brinde à independência, a reuniões militares, passando por grandes decisões políticas, o Vinho Madeira foi testemunha do nascimento dos Estados Unidos da América.


O cenário é Nova Iorque em 1776. Uma taberna está cheia de soldados britânicos que ocupam quase todas as mesas. A bebida de eleição… Vinho Madeira. No mesmo dia, quase à mesma hora, entre a imensidão de floresta da Pensilvânia, no acampamento do general George Washington, a bebida é a mesma.
São cenas da série de televisão Turn, produzida pelo canal AMC, que retrata a vida de um grupo de espiões em favor de Washington, a célula Culper, que luta pela independência dos Estados Unidos da América. A história é baseada em factos reais e a referência ao Vinho Madeira na série é frequente, como forma de ajudar a caracterizar a época e a demonstrar, já nessa altura, a fama desta produção.
Na ficção história, nos artigos de jornais e revistas e até na música, o vinho produzido nesta ilha continua a ser alvo de referências constantes. A longevidade deste fortificado e a localização geográfica da Madeira, nas rotas do Atlântico, ajudam a que isso aconteça.
O Vinho Madeira é exportado para os Estados Unidos desde o início do século XVIII. O território estava longe de pensar na independência, mas na década de 1730 começam a surgir referências a este produto no outro lado do Atlântico.
A popularidade cresceu ao longo do século. Era o vinho preferido das classes nobres, sobretudo ingleses das colónias americanas. Por ser frequente é natural que tenha sido testemunha da História.
A história de que os pais fundadores, depois de assinarem a Declaração de Independência, brindaram com Vinho Madeira é o episódio mais repetido da ligação entre o Vinho Madeira e os Estados Unidos da América (EUA). Os pais fundadores eram consumidores. Mas o vinho atravessou a guerra da independência dos EUA (1775-1783), esteve à mesa das primeiras fases da vida do país. Em 1789, o primeiro Presidente norte-americano, George Washington, também o bebeu na sua tomada de posse. Cruzou todo o século XIX e nem a guerra civil americana impediu a sua importação.
Ainda hoje é apreciado. Até setembro de 2016 esta exportação ultrapassava já o valor de 1.5 milhões de euros. Os EUA continuam a ser um dos mercados com maior tradição na exportação de Madeira.
Esta relação está bem enraizada na cultura americana. Exemplo disso é o conjunto de mais de 130 garrafas, que desde Outubro estão expostas no museu Museu Liberty Hall, na cidade de Elizabeth, nordeste dos Estados Unidos. É provavelmente a coleção mais antiga de Vinho Madeira do país, segundo o diretor do museu, Bill Schroh.
Os vinhos foram descobertos no próprio edifício, construído em 1772 pelo primeiro governador de Nova Jérsia, William Livingston. Por esta mansão, passaram vários presidentes, como George Washington, Herbert Hoover ou Gerald Ford, e foi também aqui que viveu Alexander Hamilton, o primeiro secretário de Tesouro dos EUA, enquanto estudava.
As garrafas de Madeira e algumas de Porto foram encontradas em 1995, mas o trabalho de identificação só começou dois anos mais tarde. "Muitas das garrafas estavam em más condições, algumas sem rótulo, tornando muito difícil ou quase impossível datá-las. As mais antigas que podemos verificar são Lennox Madeira, importadas pelo comerciante e advogado Robert Lenox em 1796 e engarrafadas em 1798", diz o diretor do museu.
As garrafas do Museu Liberty Hall são um exemplo entre muitos outros, de como a Madeira está ligada, pelo vinho, aos Estados Unidos. A procura teve uma consequência diplomática. A Madeira foi o primeiro lugar de Portugal a ter um consulado norte-americano, aberto em 1791. A representação abriu portas para tornar mais fácil o processo de exportação.

Bearing witness to History

There was the toast to Independence and then there were military meetings and great political decisions. Madeira Wine bore witness to the birth of United States of America.

The setting is New York City, the year 1776. A tavern is crowded with British soldiers occupying almost every table. Their drink of choice…. Madeira Wine. On that very same day, and almost at the same time, far beyond the woods of Pennsylvania, at George Washington’s camp, the beverage is the same.
These are scenes from the Turn TV series, produced by AMC, which portrays the lives of a group of spies for Washington, the Culper ring, fighting for the independence of the United States of America. The story is based on real facts and the reference to Madeira Wine is frequent in the series as a way of portraying the period. It comes to show just how much of a reach this product already had back in the day.
In this piece of historical fiction there is constant reference to the wine produced on the island in newspapers, magazines and even music. This is helped by the longevity of this fortified wine and the geographical positioning of Madeira in the Atlantic routes.
Madeira is exported to the United States ever since the early 18th century. The earliest references to this product being on the other side of the Atlantic date back to the 1730s, back when independence was far away from anyone’s minds.
Its popularity grew throughout the century. It was the favourite wine of nobles, specially, English ones, in the American colonies. Given that it was everywhere, it comes as no surprise that it bore witness to some of the greatest moments in History.
The story that after signing the Declaration of the Independence, the Founding Fathers toasted with a glass of Madeira is one of the most cited anecdotes in which Madeira Wine is connected to the United States of America (USA). The Founding Fathers were consumers. But the wine survived through the USA’s war of independence (1775-1783) and was at the table in the nation’s early stages. In 1789, the first North American President, George Washington, also had a glass of Madeira at his inauguration. The wine was constantly there during the 19th century and not even the American Civil War deterred its import.
Still today it is enjoyed. Until September 2016, this export surpassed 15.5 million euros. The USA remain one of the largest markets to which Madeira Wine is exported.
This relationship is deeply rooted in American culture. An example of this is the set of over 130 bottles in display since October at the Liberty Hall Museum, in the town of Elizabeth, northeast US. It most likely is the oldest collection of Madeira Wine in the country, according to museum director Bill Schroh.
The bottles were actually unearthed in that structure, built back in 1772 by the first governor of New Jersey, Wiliam Livingston. Several presidents such as George Washington, Herbert Hoover, or Gerald Ford were there at some point and even the first secretary of the Treasury of the United States, Alexander Hamilton, lived there as a student.
The bottles of Madeira, and a few of port, were found in 1995 but efforts towards their identification started only two years after that. ‘Many of the bottles were in bad shape, some with no label, making dating them very difficult, almost impossible. The oldest ones we could verify were Lennox Madeira, imported by tradesman and lawyer Robert Lenox in 1796 and bottle din 1798’, says the director of the museum.
The Liberty Hall Museum’s bottles are one example among many of how Madeira is connected by wine to the United States. This search had a diplomatic consequence. Madeira was the first place in Portugal to have a North American consulate, open in 1791. This was meant to ease the whole process of exporting.

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