24 julho 2017

Uma vida ligada ao paladar

Américo Pereira é membro da Academia Madeirense das Carnes / Confraria Gastronómica da Madeira.
Américo Pereira é o único madeirense que irá ser júri do concurso mundial de bebidas espirituosas, que se realiza no Chile.

Fonte: Diário de Notícias da Madeira, edição impressa de 24 de Julho de 2017.


20 julho 2017

Academia das Carnes levou a Madeira 35 vezes ao exterior só este ano


A Academia Madeirense das Carnes/Confraria Gastronómica da Madeira fez o balanço das suas presenças, em 2017, em eventos realizados fora da Região Autónoma da Madeira.
Assim, foram 35 deslocações ao exterior da RAM, realizadas no espaço temporal das primeiras 29 semanas do ano de 2017.
Destas 35 deslocações, 13 foram realizados em Portugal continental,1 no Luxemburgo,1 na Roménia, 3 em Espanha, 2 na Suíça, 6 em Itália e 8 em França.

18 julho 2017

A pré-história das Confrarias Gastronómicas

por Paulo Sá Machado

É em Roma que surgem os primeiros Colégios, Confrarias que se juntavam nos botequins onde se faziam os petiscos e as “servas” andavam muito bem enfeitadas deixando-se cortejar pelos clientes, que por vezes entravam em disputas violentas, para conseguirem os favores das empregadas.
Mas como não pretendemos dar uma panorâmica da história, o que nos arredaria do tema a que nos propusemos, iremos saltar para as:

AS CONFRARIAS MEDIEVAIS

As Confrarias Gastronómicas não surgem por geração espontânea e tiveram os seus antecedentes os “collegia” romanos e as “gildas” germânicas, mas tendo como pressuposto ideológico e psicológico dinamizador , a doutrina cristã.

Uma característica comum a todos os colégios romanos era a realização de banquetes. Outra característica era a ligação a um patrono benfeitor que convidava os membros para uma farta refeição.

Na França carolíngia existiram associações ou sociedade de entreajuda ou “collecate” unidas pelo juramento e pela prática da “compotacio” ou refeição em comum e o Concílio de Nantes em 858, no seu capítulo 15º, ocupou-se especialmente “de collectis quas gildonias vel confratrias vocant”. Através do seu articulado percebe-se que na base destas associações dominam os objectivos profanos: realização de um banquete, entreajuda e reconciliação entre os seus membros.
Ainda hoje, e ao longo dos tempos sabemos que é à mesa que muitos assuntos se resolvem, desde os profissionais, sociais, políticos, económicos, etc, etc. Assim somos de opinião, que as Confrarias Gastronómicas, mesmo sem esta nomenclatura recente, sempre existiram.
Tome-se com exemplo, o século XVIII, onde as fartas e prolongadas refeições se realizavam não só como forma de ostentação, mas também como reunião de amigos, onde no final de tratavam de todos os problemas da comunidade.

Em relação à atitude da Igreja perante estas Associações espontâneas de laicos, podemos admitir que começou por ser de desconfiança, receando que continuassem o paganismo ou que se convertessem em movimentos heréticos. Porém, desde muito cedo, procurou cristianizá-las e utilizá-las em seu proveito, tarefa relativamente fácil, pois a solidariedade entre os seus membros saía reforçada com a prática dos preceitos evangélicos de amor e caridade e consolidada com a prestação de juramento religioso.

Hoje as actuais Confrarias Gastronómicas, têm o seu juramento, tal e qual acontecia no passado.

A própria Igreja fomentou desde o Século IX e X a criação destas “familiaridades artificiais” de laicos à volta de mosteiros paróquias e, na sequência da reforma gregoriana, propiciou até a fundação de confrarias de clérigos e de confrarias mistas de clérigos e leigos.

Como nota, à margem refira-se que era nos Mosteiros e Conventos onde se preparavam lautas refeições e de onde surgiram receitas que ainda perduram e são sobejamente apreciadas nos dias de hoje.
Tomemos como exemplo: o maranho, negalho, chanfana, tripas à moda do Porto, papas de sarrabulho, e os doces conventuais, como os célebres Ovos Moles de Aveiro, a Fogaça da Feira, Toucinho o Céu, Clarinhas de Fão, Pasteis de Tentugal, Pão de Ló nas suas diferentes variedades, Morcela Doce de Arouca, Fatias Douradsa de Resende, etc, etc,
Em Portugal as Confrarias mais antigas datam do Século XII. A Confraria de Fungalvás, povoação da Freguesia de Nª Srª da Purificação de Assentiz, Concelho de Torres Novas e talvez das da Bexiga povoação na Freguesia de Nª Srª da Conceição, de Paialvo, Concelho de Tomar, Payalvo, Povoação da Freguesia de Nª Srª da Igreja Nova, do Concelho de Tomar, e Santa Maria de Olaia, freguesia do Concelho de Torres Novas de características tão primitivas. Repare-se que todas elas pertencentes aos Concelhos de Torres Novas e Tomar.
Á mesma época remontará a Confraria de S. João do Souto da cidade de Braga cujo compromisso antigo se perdeu.

As irmandades portuguesas que figuram nos documentos da época são sinónimos de Confrarias. Devemos, contudo, lembrar que, em alguns dos compromissos, os dois termos comportam um significado específico.
Na Confraria de S. Bento de Torres Novas, procediam-se à distribuição de pão e carne que os Confrades coziam no Terreiro, já na Confraria de Stº André de Montemor-o-Novo, a termo Confraria também designa a refeição comum. No compromisso do Salvador de Torres Novas declara-se mesmo que o nome de irmandade ou confraria só se justifica se houver refeição em comum.

É no fundo, o mesmo significado específico que o vocábulo irmandade mantém nos Açores, onde a irmandade constitui a chave de um IMPÉRIO. “A expressão designa tanto um conjunto de ofertas alimentares feitas pelo imperador, como um conjunto de ofertas, sobretudo alimentares feitas ao Imperador.

Como lembra Pierre Bonassie, o grupo profissional ou ofício procede de uma facto , enquanto a Confraria é sempre uma Associação voluntária.

Nos compromissos mais antigos da Vila Torres Novas e seu termo transcrevem-se passagens evangélicas que apelam para a comunidade dos bens dos primitivos cristãos e para o amor das obras mais que por palavras. De resto são os princípios de caridade cristã que inspiram e norteiam, dum modo geral, os redactores desses compromissos. O COMPROMISSO DE UM CONFRARIA NÃO DEPENDE, EM PRINCÍPIO, DUMA VONTADE INDIVIDUAL, ANTES RESULTA DE UM ACORDO DE VONTADES LIVREMENTE DELIBERADO PELOS INTERESSADOS.

A entrada numa Confraria fazia-se publicamente através do juramento do compromisso sobre os Santos Evangelhos, o que dava à instituição o carácter de Associação Juramentada.
A permanência numa Confraria dependia, em primeiro lugar, do comportamento do Confrade, mas também do pagamento de certos encargos, cotas anuais, multas por infracções, contribuições para refeições, etc.

As Confrarias Medievais atestam a persistência e o vigor das solidariedades horizontais numa época em que as solidariedades verticais eram dominantes.

Até este ponto podemos apreciar como eram e o que foram as Confrarias Medievais que deram origem às actuais Confrarias.

A GASTRONOMIA NA ÉPOCA DOS DESCOBRIMENTOS

A alimentação era á base de biscoitos, carne e peixe salgados, água e vinho o que causava diversas e graves doenças. O biscoito, confeccionado com farinha de trigo, durava bastante tempo – quanto mais vezes fosse cozido maior seria a duração- o que o tornava num alimento com poucas calorias.
Para colmatar as falhas na alimentação, eram sempre que possível embarcados animais vivos e fruta fresca. A falta de água potável era outro dos problemas com que se debateram os navegadores. O espaço era reduzido e o mau acondicionamento dos alimentos, tornava a água quase imprópria.

A CONFRARIA DO BURRAÇO


Em 1578, o Povo da Freguesia de Lampaças, Concelho de Bragança, a instâncias de naturais seus que em Castela haviam presenciado a veneração da Santa Cruz, o povo resolveu instituir uma Irmandade desta invocação. Logo os “cristãos novos” da terra, em desprezo daquela Confraria, criaram uma outra, com organização semelhante mas tendo por objecto principal: comer, beber e folgar. Foi denominada do BURRAÇO, podendo a ela pertencer cristãos velhos e clérigos.
Naturalmente a constituição desta Confraria constituiu um escândalo e determinou quatro anos depois uma intervenção do Santo Ofício.
Pedro Lopes é julgado na Inquisição de Coimbra e interrogado a 4 de Agosto de 1582, entre outros depoimentos ressaltamos: “Perguntado se era verddae que ele e as ditas pessoas da sua nação, encorporados em modo de confraria, andaram pelo dito lugar, por casa dos cristãos-novos, pedindo para a Confraria do Burraço, e penhorando os que não queriam pagar, e ele recebia o que pagavam e os penhores, dizendo aos cristãos velhos que se assentassem na sua Confraria do Burraço, que havia de ser mais farta e ter melhor de comer que a da Cruz, e que todos comeriam, escarnecendo em tudo a Confraria da Santíssima Cruz : disse que andavam comendo, bebendo em casa de uns e de outros, e que o não fazia por menos preço da dita Confraria.”
Mais disse Pedro Lopes que burraço é a palavra que naquela terra «se traz muito em prática e quando alguma pessoa cai em algum descuido ou parvoíce lhe dizem que é burraço, e que há-de pagar para o burraço, pelo que todo ele réu está sem culpa ...»

A CONFRARIA “A PANDOCARDA”


Semelhante, no espírito à Confraria do Burraço, era a Festa em Honra de S. Membrum que os marranos (1) de Vilarinho dos Galegos – Mogadouro ainda por volta de 1940 celebravam “ A Pandocarda” a 30 de Setembro, depois da festa católica em honra de S. Miguel, orago da freguesia ali conhecida pela pitoresca designação de S. Miguel das Uvas – época das vindimas.A função desta Confraria era bem comer e copiosas libações. Dançava-se ao ar livre, em volta do povoado e em redor da “igreja ao som do pandeiro, em ensurdecedora algazarra. Para que tudo fosse ao contrário, e tudo se amesquinhasse, as mulheres cavalgavam os homens.

AS PRIMEIRAS CONFRARIAS
Agora resta-nos dar a conhecer a relação


Século XII – Confraria de Stº André de Montemor-o-Novo
- Os Impérios nos Açores, exemplos de Confrarias quase gastronómicas
Século XVI – 1578, a primeira Confraria Gastronómica portuguesa – A Confraria do Burraço.
Século XX – 1940 , A Pandocarda , Confraria Gastronómica de Vilarinho de Galegos –
Mogadouro.

(1) Marranos – Nome dado, por sarcasmo, aos judeus e mouros recém-convertidos ao Catolicismo, segundo alguns, em face da repugnância em comer carne de porco, segundo outros, pela sua conversão aparente ou pouco sincera, e portanto não genuína, impura no sentido dado aos termos “narrrano” e “marão” no Cancioneiro de Garcia de Resende.

*Bibliografia:
Beirante, Maria Angela Godinho Vieira da Rocha – Confrarias Medievais Portuguesas,
Edição de autor 1990.
Freitas, Eugénio de Andrea da Cunha e – A Confraria do Burraço em Quintela de
Lampaças, - Douro Cultural, Boletim da Comissão Provincial de Etnografia e
História, 1950
Machado, Paulo Sá – As Confrarias Gastronómicas Portuguesas, Edição da Confraria da
Broa de Avintes, 2002
Pereira, Esteves e Guilherme Rodrigues–Portugal Diccionario Historico, Chorographico
Heraldico, Biographico, Bibliographico, Numismatico e Artístico – Edição
João Romano Torres- Lisboa -1904


A Academia Madeirense das Carnes/Confraria Gastronómica da Madeira, uma das 3 confrarias Portuguesas presentes em 2005, na cidade de Bayonne, no acto da fundação da CEUCO, e expulsa deste organismo em 2006, durante o "Jantar de Gala do Congresso da CEUCO-Porto", por mau comportamento segundo carlos martin cosme.

Gregório Freitas
Presidente da AMC/CGM (2000-2016)

17 julho 2017

Confrarias estrangeiras convidam a presença dos confrades madeirenses nos eventos

Disponibilizamos aqui as datas e localidades de Capítulos e outros eventos de confrarias estrangeiras que convidaram a Academia Madeirense das Carnes/Confraria Gastronómica da Madeira a estar presente.
Solicitamos a presença dos confrades da AMC/CGM nestes respectivos eventos:


Confrérie du Raisin d`Or  de Sigoulès, 23 de Julho 2017 - França.


Confrérie du Vin de Domme, Festa das Confrarias e do Vinho de Domme/Vale Dordogne - 15 de Agosto de 2017 - França.



Capítulo da Confrérie du Stofé - 17 de Setembro - Bélgica



Cofradia del Centolo Larpeiro - Capítulo a 24, 25 e 26 de Novembro de 2017 - Espanha.


Confrérie de la Gribousine de Malonne - Capítulo a 28 de Outubro de 2017 - Bélgica


Viiniritareiden Veljeskunta - Capítulo a 2 de Setembro de 2017 - Finlândia.


Antico Ordine dei Cavalieri di Adelasia - Capítulo a 23 e 24 de Setembro de 2017 - Itália


Capítulo del Serenisimo Albariño - Evento a 6 de Agosto em Cambados, Galícia - Espanha


Cofradia dos Viños Rias Baixas-Serenisimo Odre do Lagariño - Capítulo a 19 de Agosto, Villagarcia de Areosa, Galiza - Espanha.

Confrérie de la Peyroulade,Capítulo na 1ª- Quinta-feira de Agosto, Villefort, região de Languedoc -Roussillon - França.

Confrérie de la Noix du Perigord de Nailhac en Pays de Hautefort - Capítulo a 12 e 13 de Agosto de 2017 - França.

XXV Capítulo na localidade de Pont du Gard a 30 de Setembro de 2017 - França.

Confrérie Géneration Géminian - Capítulo a 13, 14 e 15 de Outubro de 2017 na localidade de Cuxac d`Aude - França.

Európsky Vinársky Rytiersky Stav - evento a 4 de Novembro na região de Pezinok, República da Eslováquia.

Veinimail Onogastronoomia Vennaskond - evento de 3 a 7 de Agosto de 2017 na cidade de Tartu - Estónia.

Illustre Confrérie du Pouteille et du Manouls - Capítulo a 20 de Agosto na localidade de Canourge, Loreze - França.

Confraria em Odivelas no lançamento do livro “Bodas de Madeira da Confraria Gastronómica dos Enchidos”


A Academia Madeirense das Carnes/Confraria Gastronómica da Madeira participou no lançamento do livro “Bodas de Madeira da Confraria Gastronómica dos Enchidos”, que se realizou a 15 de Julho, na cidade de Odivelas.

Fonte: Funchal Notícias

16 julho 2017

Lançamento do livro "Bodas de Madeira da Confraria Gastronómica dos Enchidos"


A Academia Madeirense das Carnes/Confraria Gastronómica da Madeira esteve presente no lançamento do livro "Bodas de Madeira da Confraria Gastronómica dos Enchidos", que teve lugar a 15 de Julho, na cidade de Odivelas.

Estreito de Câmara de Lobos, 16 de Julho de 2017.






14 julho 2017

Academia das Carnes presente em eventos internacionais e nacionais


A Academia Madeirense das Carnes/Confraria Gastronómica da Madeira vai estar presente, amanhã, na cidade de Odivelas, onde participa no lançamento do livro ‘Bodas de Madeira da Confraria Gastronómica dos Enchidos’.
A mesma Academia estará igualmente presente, de 3 a 7 de Agosto, na cidade de Tartu na República da Estónia, onde irá participar no ‘Encontro Internacional de Verão Cultura Báquica-Gastronómica”, organizado pela ordem ‘Veinimail Onogastronoomia Vennaskond’ e na fundação de uma federação internacional de confrarias báquicas e gastronómicas, que se realiza na cidade universitária de Tartu.
Fonte: Diário de Notícias da Madeira, edição on-line.

12 julho 2017

Descoberta de vinho nos EUA "é um marco"

Na remodelação de um museu na Nova Jersey, os historiadores encontraram garrafas de Vinho Madeira com 221 anos.

Fonte: Diário de Notícias da Madeira, edição impressa de 12 de Julho 2017.

Verdelho, Sercial e Smoke Madeira entre os vinhos centenários encontrados nos Estados Unidos

O director de operações do Liberty Hall Museum fala ao DIÁRIO sobre a descoberta.


Entre as mais de 50 garrafas e 42 garrafões de vinho Madeira encontrados durante a remodelação do Liberty Hall Museum, em Nova Jersey estão, pelo menos, oito vinhos diferentes: “Encontrámos vários Madeira. Infelizmente, não sabemos sempre que tipo de Madeira está em cada garrafa”, esclarece Bill Schroh, Jr. director de operações do Liberty Hall Museum, ao DIÁRIO.
Apesar de ainda não existirem certezas sobre os produtores dos Vinhos Madeira agora encontrados, Schroh conta ao DIÁRIO o que sabe, para já, sobre a rara descoberta.
Há garrafas da colecção privada de Robert Lenox, um conhecido milionário e importador de vinho em Nova Iorque: Lenox Madeira, de 1796; Lenox Madeira, de 1809.


Fotos: Liberty Hall Museum
Mas há mais: Smoke Madeira, 1820, Sercial, de 1824, W. R. Travers Portuguese Minister, 1825, W. R. Travers Don Pedro, 1836, Old Sercial Madeira, 1849, e Verdelho Madeira (sem data).
“Até onde sabemos, alguns dos Madeira ainda estão bebíveis”, garante Bill Schroh ao DIÁRIO.


Fotos: Liberty Hall Museum
A descoberta é mais uma prova de que o vinho Madeira é dos mais antigos do mundo. Tudo começou quando o museu avançou com obras de recuperação e, atrás de uma parede construída durante a Lei-Seca, implementada nos Estados Unidos no início do século XX, estavam as mais de 50 garrafas e 42 garrafões de vinho Madeira, escondidas.
“Para poderem ser engarrafados, os vinhos datados da Madeira têm de envelhecer 20 anos em casco, em pipa”, explica Francisco Albuquerque ao DIÁRIO. Por isso, diz o enólogo da Madeira Wine Company, faz sentido que as datas “sejam anteriores à Lei-Seca”.
Os historiadores e especialistas do museu americano garantem que é a colecção mais antiga de vinho Madeira dos Estados Unidos: “Não fazíamos ideia que as garrafas estavam, lá”, disse John Kean, presidente do Liberty Hall Museum. “Esperávamos encontrar vinho, mas não fazíamos ideia da data. Foi uma grande surpresa”.
Para Francisco Albuquerque, a descoberta destas garrafas, algumas datadas pouco depois da Revolução Americana de 1776, representa a “importância do nosso vinho nos Estados Unidos”. Mas mais que isso: “É a prova de que é um vinho com índice de envelhecimento muito raro, com grande longevidade”. Como, aliás, acrescenta o enólogo, “já estava provado”.
E será possível que, passados 221 anos, o vinho ainda esteja bom, como crê Bill Schroh e a sua equipa?
Francisco Albuquerque não tem muitas dúvidas: “Devem estar perfeitos”, acredita. É que apesar de ser recomendável mudar as rolhas da garrafa a cada 20 anos para salvaguardar a preservação do vinho, esclarece o especialista, se o vinho estiver num ambiente fresco, frio, escuro e sem humidade, pode conservar-se durante muito tempo. O enólogo falava do vinho Madeira, claro. Tem a ver com o método de engarrafamento: “A oxidação não é um problema, está estabilizado ao ar”, acrescenta.
O Liberty Hall Museum, que actualmente pertence à Kean University, está a ser alvo de uma remodelação.
Antigamente, era conhecido apenas por Liberty Hall e foi a casa de William Livingston, o primeiro governador eleito na Nova Jersey., e signatário da Constituição. A casa foi construída em 1772, antes da Revolução Americana, e em 1811 passou a ser propriedade da família Kean.
Em 2015, decidiram que a adega da mansão devia ser alvo de uma análise e de recuperação. Por causa da Lei-Seca, a garrafeira estava escondida atrás de uma parede. Deitaram-na abaixo: “Submetemos o quarto a uma vistoria completa – análise de tintas, de argamassa, de tijolos, para percebermos o que precisava de ser reparado”, contou Bill Schroh, director de operações à CNN. Foi depois desta fase que, conta, encontraram “a incrível colecção de Madeira”. O valor ainda não é conhecido.
Francisco Albuquerque ficou entusiasmado com a descoberta e descreve-a como um “marco”. Lembrando que os Estados Unidos são o “o nosso mercado número 1” de vinhos de qualidade, o enólogo sublinha: “Vendemos para lá há 300 anos”.
A garrafa mais antiga tem 221 anos, mais de dois séculos, e a mais recente, 168 anos - Se é que podemos classificar como ´recente´ uma garrafa com esta idade. A colecção já é considerada a mais antiga de vinhos Madeira encontrada nos Estados Unidos e a adega está, agora, aberta ao público interessado.
Fonte: Diário de Notícias da Madeira, edição on-line.
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