10 fevereiro 2020

Participação no XIV Capítulo da Confraria do Vinho de Lamas


A Confraria Enogastronómica da Madeira participou no XIV Capítulo da Confraria do Vinho de Lamas que teve lugar na Freguesia de Lamas, no Município de Miranda do Corvo, em 9 de Fevereiro.

Estreito de Câmara de Lobos, 10 de Fevereiro de 2020.










 














09 fevereiro 2020

"Legado gastronómico da Madeira"


Restaurante desenvolve projeto para divulgar a herança alimentar das ilhas da Madeira e do Porto Santo.


A Madeira aposta cada vez mais na gastronomia como fator de diferenciação do destino turístico. Um restaurante desenvolve um novo projeto assente na herança alimentar e cultural das gentes locais.

05 fevereiro 2020

O Panelo


O Panelo

Não há dúvidas de que o mês de Janeiro é aquele em que todos os caminhos vão dar ao Porto Moniz, ainda que seja a freguesia do Seixal seja o centro das atenções dois fins de semana seguidos, com o arraial de Santo Antão a ter ficado para trás no calendário e os olhos postos no panelo, no Domingo seguinte.

Milhares de pessoas preparam já o farnel para levarem para a casa de amigos, ou apenas conhecidos, ou amigos de amigos, ou amigos de conhecidos. O que importa é que alguém leve alguém que conheça alguém para uma das festas mais astronómicas da nossa ilha, mesmo sem ter essa denominação.

O panelo reúne nos quintais dos “palheiros” muitas pessoas, algumas delas há algumas décadas, que entretanto foram vendo crescer as listas de convidados nas suas casas e na dos vizinhos. A teoria do “cabe sempre mais um” encaixa perfeitamente aqui, até porque não são precisos lugares sentados em cadeiras à volta da mesa. A comida, composta por carnes, hortaliças e as inconfundíveis “semilhas do Seixal” é espalhada por cima de toalhas e quem ali vai serve-se à mão. Uma experiência que muitos madeirenses vivem ano após ano.



O Panelo

Realiza-se no Domingo a seguir à festa do senhor Santo Antão, padroeiro da freguesia e que se realiza no primeiro Domingo a seguir ao dia dezasseis de Janeiro. Antes tinha data fixa que era no dia 17 de Janeiro, mas não há muito tempo mudou para o Domingo seguinte, que muitas vezes coincide com o último Domingo de Janeiro. Por exemplo no próximo ano, 2021, o dia dezassete calha num Domingo, logo o panelo será no Domingo seguinte, dia 24, que é o penúltimo Domingo de Janeiro. Este esclarecimento valerá que não venha muita gente enganada no último Domingo.

Em segundo lugar queria esclarecer a sua origem, pois tenho ouvido muitas histórias que de acordo com o que o meu pai contava, não corresponde minimamente à verdade. Quando não se sabe como aconteceram as coisas, tenta-se acertar através de invenções que só por acaso acertam.



Nos meses de Primavera/Verão e princípio de Outono, havia vacas a pastar nas serras da Terra Chã e do Fanal, precisamente nos dois lados opostos ao Chão da Ribeira de proprietários do Seixal. Todas as Serras do Seixal eram comunitárias, pois pertenciam ao povo e em 1956 foi assinado um acordo em que a sua administração passaria para os recém criados Serviços Florestais, mas os Seixaleiros continuariam a usufruir das lenhas, matos e pastos. Quando o tempo começava a ficar muito frio nas serras, devido à altitude havia transumansia das vacas para o Chão da Ribeira e eram controladas pelos respectivos pastores.



A mulheres e as noivas dos pastores, ao domingo iam até ao Chão da Ribeira e levavam carne de porco salgada, proveniente do porco que criavam ao longo do ano e que era morto no dia 18 de Dezembro (não nos esqueçamos que não havia energia elétrica, nem frigoríficos e o período de conservação da carne era cerca de uma semana e a carne assada na panela do Natal, não podia ser salgada. Por sua vez os pastores arrancavam as chamadas semilhas de “Marrão” com o seu bordão e as couves que havia em abundância naquele sitio. Arranjavam duas pedras, faziam um lar e ponham os únicos três ingredientes: Carne de porco, couves e semilhas a cozer numa panela (os enchidos não existiam e só mais recentemente é que passaram a utilizar, assim como a cenoura e batata doce). Quando estivesse cozido deitavam no chão que era preparado com feiteira que cobria o chão depois de limpo das ervas e depois folhas de couve para evitar o contacto com o solo.

Depois de comerem e o Sol ia passando, jogavam à malha, jogo que eu saiba só jogado no Seixal, para aquecerem e os perdedores carregavam às costas os ganhadores à volta do campo de jogo definido.

Era um convívio entre namoradas, mulheres e os respetivos pastores, que no dizer de um locutor do canal de Televisão a Minha Terra, que me entrevistou sobre este tema, seria uma espécie de “dia dos namorados de antigamente”.

Depois a população começou a imitar este convívio e as famílias do Seixal começaram a fazer esse convívio, acabando no dia que definiram como “Dia do panelo”, por esvaziar a parte baixa do Seixal. O trajeto era feito a pé, pois não havia estrada e no regresso muitas pessoas cortavam alguns espigos, já em flor e vinham a cantar, com a ajuda de algum jaquet que também tinha participado no convívio. A data do seu início é desconhecida e perde-se na história....

Duarte Caldeira




A propósito do “Panelo” que se realiza todos os anos no Chão da Ribeira na freguesia do Seixal, gostaríamos de corrigir algumas imprecisões que vezes sem conta aparecem na Comunicação Social, nomeadamente no DN, principalmente através do seu colaborador Victor Hugo, e não só, e para isso recorro à memória do meu falecido pai que várias vezes me contava a sua história, que ouvia o seu pai e do seu avô.

Em primeiro lugar queria corrigir a data. Nunca foi marcada para o ultimo domingo de Janeiro, como tantas vezes tenho visto escrito, mas sim no Domingo a seguir à festa do senhor Santo Antão, padroeiro da freguesia e que se realiza no primeiro Domingo a seguir ao dia dezasseis de Janeiro. Antes tinha data fixa que era no dia 17 de Janeiro, mas não há muito tempo mudou para o Domingo seguinte, que muitas vezes coincide com o último Domingo de Janeiro. Por exemplo no próximo ano, 2021, o dia dezassete calha num Domingo, logo o panelo será no Domingo seguinte, dia 24, que é o penúltimo Domingo de Janeiro. Este esclarecimento valerá que não venha muita gente enganada no último Domingo.

Em segundo lugar queria esclarecer a sua origem, pois tenho ouvido muitas histórias que de acordo com o que o meu pai contava, não corresponde minimamente à verdade. Quando não se sabe como aconteceram as coisas, tenta-se acertar através de invenções que só por acaso acertam.

Nos meses de Primavera/Verão e princípio de Outono, havia vacas a pastar nas serras da Terra Chã e do Fanal, precisamente nos dois lados opostos ao Chão da Ribeira de proprietários do Seixal. Todas as Serras do Seixal eram comunitárias, pois pertenciam ao povo e em 1956 foi assinado um acordo em que a sua administração passaria para os recém criados Serviços Florestais, mas os Seixaleiros continuariam a usufruir das lenhas, matos e pastos. Quando o tempo começava a ficar muito frio nas serras, devido à altitude havia transumansia das vacas para o Chão da Ribeira e eram controladas pelos respectivos pastores.

A mulheres e as noivas dos pastores, ao domingo iam até ao Chão da Ribeira e levavam carne de porco salgada, proveniente do porco que criavam ao longo do ano e que era morto no dia 18 de Dezembro (não nos esqueçamos que não havia energia elétrica, nem frigoríficos e o período de conservação da carne era cerca de uma semana e a carne assada na panela do Natal, não podia ser salgada. Por sua vez os pastores arrancavam as chamadas semilhas de “Marrão” com o seu bordão e as couves que havia em abundância naquele sitio. Arranjavam duas pedras, faziam um lar e ponham os únicos três ingredientes: Carne de porco, couves e semilhas a cozer numa panela (os enchidos não existiam e só mais recentemente é que passaram a utilizar, assim como a cenoura e batata doce). Quando estivesse cozido deitavam no chão que era preparado com feiteira que cobria o chão depois de limpo das ervas e depois folhas de couve para evitar o contacto com o solo.

Depois de comerem e o Sol ia passando, jogavam à malha, jogo que eu saiba só jogado no Seixal, para aquecerem e os perdedores carregavam às costas os ganhadores à volta do campo de jogo definido.

Era um convívio entre namoradas, mulheres e os respetivos pastores, que no dizer de um locutor do canal de Televisão a Minha Terra, que me entrevistou sobre este tema, seria uma espécie de “dia dos namorados de antigamente”.

Depois a população começou a imitar este convívio e as famílias do Seixal começaram a fazer esse convívio, acabando no dia que definiram como “Dia do panelo”, por esvaziar a parte baixa do Seixal. O trajeto era feito a pé, pois não havia estrada e no regresso muitas pessoas cortavam alguns espigos, já em flor e vinham a cantar, com a ajuda de algum jaquet que também tinha participado no convívio. A data do seu início é desconhecida e perde-se na história....

Duarte Caldeira

CEM presente na cerimónia de apresentação do livro "Cuscuz: Identidades e Recriações"



Son Excellence Monsieur l`Ambassadeur du Royaume du Maroc a donné une réception à l`occasion du lancement du livre "Cuscuz: Identidades e Recriações".
A Confraria Enogastronómica da Madeira esteve presente na cerimónia de apresentação do livro "Cuscuz: Identidades e Recriações", que se realizou no dia 29, na Residência Oficial do Senhor Embaixador do Reino de Marrocos em Portugal, M.Othmane Bahnini.

Estreito de Câmara de Lobos, 5 de Fevereiro de 2020.





04 fevereiro 2020

Confraria Enogastronómica da Madeira em Bragança


A Confraria Enogastronómica da Madeira desloca-se de 7 a 8 de fevereiro a Bragança onde participará no VII capítulo da "Confraria do Porco Bísaro e do Fumeiro de Vinhais".

A iniciativa terá lugar na Vila de Vinhais, no dia 8, e é incorporada no programa da 40ª Feira do Fumeiro de Vinhais, que se realiza de 6 a 9 de fevereiro.

No dia 9 de fevereiro a Confraria Enogastronómica da Madeira estará igualmente presente no XIV Capitulo da "Confraria do Vinho de Lamas" que se realiza na freguesia de Lamas, no concelho de Miranda do Corvo.

"A Confraria Enogastronómica da Madeira irá presentear estas duas confrarias com bolo de mel, rum agrícola madeirense e vinho madeirense de mesa branco e tinto", informa ainda, em comunicado.

Fonte: JM-Madeira


Na Imprensa:

30 janeiro 2020

Descoberta na ilha da Madeira árvore já extinta da família do chá

Sabe-se agora que uma árvore que estava espalhada pela Europa e pela Ásia há 2,5 milhões de anos ainda habitava a ilha da Madeira há 1,3 milhões de anos.


Imagens por microscopia de varrimento das sementes de Eurya stigmosa com cores falsas
CARLOS GÓIS MARQUES

Há 1,3 milhões de anos habitava a ilha da Madeira uma árvore chamada Eurya stigmosa, que pertencia à família do chá (Theaceae). Mas só se soube agora que esta árvore já extinta também tinha existido nesta ilha do Atlântico, anunciou esta segunda-feira a Faculdade de Ciência da Universidade de Lisboa (FCUL) em comunicado. O trabalho será publicado na revista científica Quarternary Science Reviews a 15 de Fevereiro e já disponível online, fazendo parte do doutoramento em geologia de Carlos Góis Marques na FCUL.

O conjunto de sedimentos onde estão os restos da Eurya stigmosa já tinha sido descoberto no século XIX em Porto da Cruz (ilha da Madeira). “Os primeiros registos fósseis foram descritos em 1864: eram fósseis de folhas e de sementes da família das Cyperaceae, semelhantes a juncos”, indica ao PÚBLICO o paleontólogo Carlos Góis Marques. Há uns anos, estes sedimentos passaram a fazer parte do seu trabalho de investigação ainda durante o seu mestrado na Faculdade de Ciências da Vida da Universidade da Madeira.

PÚBLICO -
Foto
Imagens por microscopia de varrimento das sementes de Eurya stigmosa com cores falsas para, segundo a equipa, as tornar mais apelativas para o público não científico
CARLOS GÓIS MARQUES

“Esta descoberta inclui-se num conjunto de outras que resultam de um trabalho de investigação paleobotânico realizado na ilha da Madeira em rochas sedimentares”, explica o paleontólogo, adiantando que o objectivo desta investigação era encontrar fósseis que permitissem descrever a flora e a vegetação do passado.

Segundo datações radiométricas, esta árvore estaria presente na ilha da Madeira há 1,3 milhões de anos, “embora já em situação de refúgio, juntamente com várias plantas que hoje em dia constituem a floresta Laurissilva”, refere-se no comunicado. “A Eurya stigmosa é a primeira planta extinta identificada no registo fóssil na ilha da Madeira”, acrescenta-se ainda no artigo científico.

PÚBLICO -
Foto
Imagens por microscopia de varrimento de sementes de Eurya stigmosa
CARLOS GÓIS MARQUES

E como seria? “Embora seja difícil saber, pode considerar-se que se trataria de uma pequena árvore que em espécies actuais corresponde a um elemento da floresta com semelhanças à Laurissilva”, responde Carlos Marques. Actualmente tem plantas aparentadas na América Central e do Sul, na Ásia ocidental e nas ilhas do Pacífico.

Não se sabe qual seria a distribuição global da Eurya stigmosa há 1,3 milhões, mas há 2,5 milhões de anos estaria espalhada pela Europa e pela Ásia. Depois, devido a alterações climáticas passadas – nomeadamente de glaciações – desapareceu da Europa, mas continuou na Madeira. “É um processo paralelo ao das principais árvores da ilha da Madeira que compõem a Laurissilva: o registo fóssil destas plantas mostra que existiam na Europa”, frisa o paleontólogo.

Sobre a sua extinção na Madeira, Carlos Góis Marques destaca que as razões são especulativas. “Poderá ter sido devido às alterações climáticas (glaciações) que ocorreram durante o Pleistoceno (entre 2,5 milhões e 11,7 mil anos) e que certamente afectaram a ilha”, aponta. “Ou então estaria ainda na ilha da Madeira quando os portugueses a descobriram [no século XV], podendo então tratar-se de um caso de extinção provocada pelo homem.”

Quanto ao significado deste estudo, no comunicado da FCUL aponta-se a fragilidade dos ecossistemas insulares e, assim, da floresta Laurissilva, que evoluiu isolada ao longo dos anos sem grandes herbívoros e sem actividades humanas.

Para Carlos Góis Marques, esta descoberta é “pessoalmente muito gratificante”, porque é o culminar de muito trabalho que começou na tese de mestrado (concluída em 2013) e vai terminar na de doutoramento (orientada por José Madeira, da FCUL, e co-orientada por Miguel Menezes de Sequeira, da Universidade da Madeira, e José María Fernández-Palcaios, da Universidade de La Laguna, em Espanha). Que segredos guardará ainda a Laurissilva?


Foto: Miguel Meneses de Sequeira (à esquerda), um dos co-orientadores de Carlos Góis Marques (à direita), durante uma saída de campo na ilha da Madeira.
MIGUEL MENEZES DE SEQUEIRA

O fóssil mais antigo de uma cenoura selvagem foi descoberto na ilha da Madeira

Uma equipa de cientistas descobriu a presença de plantas de cenoura selvagem — com caules e folhas gigantes — há cerca de 1,3 milhões de anos na ilha da Madeira. Além de ser a primeira vez que é descoberto um fóssil de uma planta com gigantismo insular, esta cenoura fossilizada é a mais antiga do mundo.


Melanoselinum decipiens MAXIMOVICH NIKOLAY


Uma equipa de cinco cientistas (quatro deles portugueses) quis estudar fósseis de frutos e acabou por descobrir a cenoura fossilizada mais antiga do mundo. As conclusões dos investigadores revelaram a presença de plantas de cenoura selvagem (diferente das cenoura que são consumidas hoje em todo o mundo) — com caules e folhas gigantes — há cerca de 1,3 milhões de anos na ilha da Madeira. O estudo é pioneiro por duas razões: o fóssil de cenoura agora descoberto é o mais antigo alguma vez descrito a nível mundial e é a primeira vez que se caracteriza um fóssil de planta com evolução para gigantismo insular.

O estudo, cujo autor principal é aluno de doutoramento em geologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, vai estar em destaque na revista científica Taxon editado pela Associação Internacional de Taxonomia de Plantas, depois de já ter sido publicado online.

PÚBLICO -
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Miguel Meneses de Sequeira e Carlos Góis e Marques durante uma saída de campo.
MIGUEL MENESES DE SEQUEIRA

Identificado por Carlos Góis Marques e a restante equipa, o fóssil é de uma espécie exclusiva da ilha da Madeira, o aipo-da-serra ou aipo-do-gado (Melanoselinum decipiens), que actualmente é encontrado em clareiras da floresta laurissilva húmida — um tipo floresta húmida subtropical composta maioritariamente por árvores da família das lauráceas e endémico da Macaronésia (região formada pelos arquipélagos da Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde). Este tipo de floresta possui maior expressão nas terras altas da ilha da Madeira, onde se encontra a sua maior e mais bem conservada mancha (cerca de 15 mil hectares), e foi considerada pela UNESCO como Património da Humanidade em 1999.

Segundo o comunicado que divulga o estudo, apesar do nome comum da espécie ser aipo, alguns estudos moleculares permitiram concluir que se trata de uma cenoura (género Daucus), que evoluiu para uma planta lenhosa insular, tornando-se uma cenoura gigante. O gigantismo insular é um fenómeno biológico onde o tamanho dos animais ou das plantas isoladas numa ilha aumenta dramaticamente ao longo de várias gerações. Os autores afirmam que este processo pode ser verificado em ilhas de todo o mundo e deve-se a “processos evolutivos e ecológicos”.

Charles Darwin foi o primeiro autor a propor a evolução destas plantas arbustivas a partir de antepassados herbáceos. Ao chegarem às ilhas, os antepassados destas plantas ficaram livres da obrigatoriedade de cumprir o seu ciclo de vida anual, tornando-se progressivamente em plantas perenes (vegetação com um ciclo de vida mais longo) e com um crescimento lenhoso (plantas que são capazes de produzir madeira como tecido de suporte dos seus caules). Este fenómeno pode ser relacionado com factores como o clima ameno das ilhas, a ausência de herbívoros e a competição pela luz solar.

PÚBLICO -
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Em cima, Melanoselinum decipiens em floração (à esquerda) e silhueta do tamanho que a planta pode atingir (à direita); em baixo, fruto actual dea Melanoselinum decipiens e dois fósseis de fruto desta planta com 1,3 milhões de anos.
CARLOS A. GÓIS MARQUES/MIGUEL MENEZES DE SEQUEIRA

Na prática, e tal como explica Carlos Góis Marques ao PÚBLICO, o fóssil da cenoura e a imagem da planta no seu estado dito “normal” não corresponde ao tipo de cenouras a que estamos habituados, mas é da mesma família. “Neste caso, o que descobrimos foi uma cenoura selvagem que não tem um tubérculo tão desenvolvido. Em tempos, terá existido uma cenoura selvagem em Portugal continental que chegou à Madeira e, por causa destes factores, evoluiu para uma planta grande. Estas plantas não produzem uma cenoura como as que conhecemos porque, quando chegaram a uma ilha em que não existiam herbívoros a comer a sua parte superior, acabaram por crescer e desenvolver-se para cima e não para dentro da terra”, diz o investigador.

Apesar de o fenómeno já ter sido descrito há mais de 150 anos por Darwin, até agora não se conhecia nenhum fóssil de uma planta com gigantismo insular que pudesse fornecer pistas sobre quando (e como) é que os seus antepassados evoluíram em contexto insular.

A publicação resulta dos trabalhos de investigação de Carlos Góis Marques realizados na Faculdade de Ciências da Vida da Universidade da Madeira e do Instituto Geofísico Dom Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, instituições a que pertencem a outros autores do estudo.

Fonte: Jornal Público
Sofia Neves, 30 de Janeiro de 2020
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