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24 outubro 2012

Um texto à madeirense!

Um texto à madeirense!

“Tava o vendeiro no paleio com o vadio do vilão quando ouviu uma zoada. Era a água de giro. O buzico do levadeiro que vinha mercar palhetes à venda, vinha às carreiras e a fazer patifarias e a chungalhar os badalos da vizinhança pelo caminhe abaixe como um demoine.
Dá-lhe uma cangueira, trompicou nas passadas e empuxou o vilhão qué um cangalhe dum home.
Bate cas ventas no lanço e esmegalha a pucra. O vilão dá-lhe uma reina vai a cima dele para lhe dar uma relampada, patinha uma poia. Ficou todo sovento.
O vendeiro dá-lhe uma rezonda por ele querer malhar num bizalho dum pequeno.
Vem o levadeiro, e, ao ver o vassola, que anda à gosma e a encher o bandulho à custa dos outros, a ferrar com o filho, fica variado do miolo e diz-lhe umas.
O vilão atazanado, atremou mal e pensou que ele lhe tinha chamado de chibarro, ficou alcançado, deu-lhe uma rabanada e foi embora todo esfrancelhado. O levadeiro ficou mais que azoigado mas lá foi desatupir a levada.
O piquene chegou a casa todo sentido, com um mamulhe. A mãe que é uma rabugenta mas abica-se por ele, ao ver ele todo ementado e a tremelicar das canetas, deu-lhe um chá que era uma água mijoca, pensando que canalha é mesmo assim, mas, como ele não arribava, antes continuava olheirento, entujado e da chorrica foi curar do bicho virado e do olhado roxo. O busico arribou e até já anda a saltar poios de bananeiras na Fajã.”

TEXTO, em Madeirense, para o XII CAPÍTULO

TEXTO, em Madeirense, para o XII CAPÍTULO
da
Academia Madeirense das Carnes - Confraria Gastronómica da Madeira
(29 Abril 2012)

"Aquintrodia, tava eu aprantado à frente da meinha tilvisão, despois dum dia de trabalho penoso, passado na fazenda a malhar cum as arcas nos camalhões das mantas do poio, sóa pra prantar um semelhal, cande o tilfone mai p’quineinho empeceu numa zuneida desvairada.
- Aie mê Deus, queim me quer atentar agoira qu’eisto tá mai que bom? Logo cande tave passeando deiante de meim, um carreire de moiças destaivadas, todas elas a modes qu’ua banana descascada. Aqueilhe era bem bom de se enxergar alei no escuro da sala. Ua beleza mai nunca avistada, obra da mãe natureza. E o qu’é fremoso eia pa se ver! Ua conscênça! Muneitas, muneitas, de verdade! Ua leindeza! Mai muneitas q’ei Mareinas de lá ein baixe, da rocha da Ponta do Sole e do Campanário. Amecês sabe do que tou falande. Nã sabe?? Ah! Est’pôre! E tamém sabe cuma eia… um hôme nã eia de ferro. Alhe, nã se esquecer q’o ferro tamém s’averga. A minha patroa inté já tava aferrada no sono, roncando cum’a porca da Marqueinhas do Fôre.
         Mas tava eu a dezer… case já m’esqueceia… eia asseim, a gente se vai pá eidade… eisto é ua digrácia!... Ah! A modos que foi tresantonte, à alpardeinha, cande o treme-treme zoinou ceinco vezes a reio. Claro, mêmo cramando das aduelas e ui regetes a tocar musca, atendei cum todo o respeito. Nunca se sabe quem vai botar faladura do outro lado do feio. Mai que surpresa! Deveia preceisar d’ajuda. E atão!!! Não era qu’era o hôme mai piqueno do sítio, o sr. Gregôrio, esse mêmo, o do Estreito?! De quem o raio da peste se foi alembrar? D’eu! Logo eu! Cá pra meim, teinha estupurado com algum cliente malcriado, asseim um cangalho dum hôme, que não quereia pagar a conta da espetada. Cá pá gente, que nã nuis ouve: Ele nã é hôme para se alcançar cuis outros. Nã é por míngua de tamanho. Atão cuma é: “Um hôme nã se mede ai palmos”… eisse é p’ai milheres. O senhor do restaurante tem um gênio forte e sabe entender ei coisas. E asseim é que deve ser! Mas… menos cheinfreim e mais história, que se faz tarde. O sr. Gregôrio teinha um conveite para eu vir aqueim, d’meitado, c’amecês. Eu einda rispostei:
- Si tá reinando comeigo, nã tá?
Ele que nã, eu que seim, ele afincava que nã, olha, calei-me, canã eia aparecer mais a tilfonia da Rádio Girão a dar musca pedeida.
Pois tá clare qu’aceitei o conveite e a gente se acertou o combinado. Nã fosse ei misses da tilvisão ouveir-me a falar alto e einda podeiam pensar qu’eu tava chamando o Gregôrio, feito bêbado tarraço. Aos pois, d’outra vez, metei-me no horário da Companheia, p’á Feijã dei Galeinhas, e veim por aeí fora, v’giando ui quefazeres dos hômes da fazenda. Nã tá nada mal ataganhado, nã s’hore! Eisto eia gente que dá na terra einté mai nã poder. A gente se falou lá ein ceima, no Pateim, e acertámos o que havera de suceder. Atão nã é qu’o hôme me falou pá função dos “Ameigos…ameigos…”, aei cuma eia… se me foisse da cach’mônia… qualquer coisa asseim… “… da Carne… Confrar… frar … pois eia, a “Confraria dei Carnes da Madeira”.
- Bom gosto tem ele, o sr. Gregôrio. Há pra aeí cada rolo de carne a pastar no caminhe, qu’é um regalo puis ôlhes.
Ah! Senhor, atão agora é asseim?  Ei Confrarias nã son deis igreijas, de Nossa Senhora da Graça e do Santíssimo Sacramento, mais ei dui Santos todos? Eu einté f’quei meio arreleiado. Será qu’o sr. Santo Papa, de Roma, sabe deisto? Credo, Cruzes canhoto! Ai Jasus, seja tudo p’lo amor de Deus im desconto dui nossos pecados. Avante, que o dia vai pecando! Atão, f’quei a saber qu’essa tal de Confraria dei Carnes é um grupo de hômes e mai milheres _ qu’elas fale tante de dreites e ingualdade cuis hômes, mais afinal ande mai tortas qu’um cepo de vides ou qu’as curvas todas dos caminhes da ilha. É ver o que vai eí fora! A gente teira o barrete! Fala-se dei milheres, mas se nã fosse elas nã havia hômes. E tamém é precise d’zer que se nã fosse uis hômes elas nã existiam. Mas avante…
Afeim de contas, a tal Confraria se reúne para falar de comeres da nossa terreinha, a ilha da Madeira. Quer se d’zer, falar e comer os comeres da nossa Região. E tá claro, há-de haver p’lo meio, lugar pa’ua peingueinha, pa molhar ei goelas. Qu’a seco, já custa o que o sr. Governo manda a gente engolir. Eles cá tão sempre a s’alambar do povo. É “come e não bufa”.
Einda pus-me a ceismar, a matutar, … mei de trejeito a nã maneiar…. e achei qu’eles têm razão do que fassem. S’a gente s’ouve tanto falar dei coisas dessas terras dos outros, por eí além, por que razão nã se vai de falar dei nossas? E há tanta coisa munita por í à volta. Inf’lizmente, há quem só einxergue mamarrachos e digrácias qu’inté parece que só sabe d’zer mal. Má leíngua a deles! É gente reles e má cum’ei cobras. Amecês que vigie à roda: Tanta leindura, tanta coisa muneita p’uis olhos vere, pa orelhas escutare, pa boca falare, po nareiz cheirare e pa gente apalpare. A Natureza eia um espante! Louvado seja Nosso Senhor! E por trás? Eh! Todo o mundo sabe qu’eia precise “comere p’ra vivere”. Nã se veive eia pa comere, qu’eisse eia feio e fai mal à saúde. Ein segueida, apanha-se um ror de maleitas que pr’aí hai, qu’um feica atarantado. E eia sempre o prove quem se trompeica. Einda s’alembre dui mancebos que veinhe da Brezuela cum bandulho redonde e atestados de oire nui braços e nu pescoço, p’a falar rapareiga p’a casare? Eisse foie do tempo das árvores dui bolivres. Ingora, pecou tude.
Mas… eimbora que faz tarde! Amecês já eimaginare o goste de uma refeição da terra sem aquelas coisas arteficiales que botam na cozedura? Imaginem qu’eisto eia um restaurante, sem aqueles salamaleques todos, aquelas fnezas que só prestam para se pagar mais. E deixem ei coiveinhas, o meilhe, os ispigues, o brigalhó mais o arroz e a massa p’os dias da semana, eim casa. Eisto de comer nã ia só frangolho. E se um tá debiqueiro, só c’u cheiro… alhe…, é cuma o peimpolho do Calvário, cande a mãe o mandou à venda mercar uma neiqueinha de salsa e veie p’lo cameinhe abaixe, com’um demoine, a chungalhar ui badales da vizinhaça. Ca pressa toda, trompicou-se numa calçada do chão, abicou-se cas fussas no areão do alcatrão e acabou atazanado ca pucra eimeigalhada e um ror de mamulhes. Cande chegou eim casa, às Avé Mareias, todo sovento e olharento e já a entujar o comer, a mãe deu-lhe ua rezonda e mai disse:
- Tens o buche virado? A meim nã me pisou nada! Neicles!
Cá pra meim, mai parece coisa de feit’ceiras. Qu’eu nã acredeite neisse, … mas… deizem qu’elas ande por eí.
Tava eu a d’zer, se bem m’alembro, qu’eisto de comer nã é só frangolho. P’ra começar, p’abrire a vontade de comere, uma poncheinha de limão, bem batida, com o caralheinho e tudo, qu’eisto por veia do freio eia ua tremura. Imentes se espera um bocado pelo prato, treinca-se uns pedaços de bolo do caco com manteiga de alhe, vai-se provando o veinho e a bilhardeice eia um vê se te aveias. Aie mê Deus, qu’alegreia! A seguir, vem a sopeinha de abóbra e feijão com çabolas, pimprinelas, um naco de massarocas e claro, abóbra amarela. Hum! Que regalo! Ou o capreicho dum cozido de coives quenteinhe, o saboroso paladar da carne de porco salgada, do inhame, dei semeilhas, dui nabos e dei cenoiras… Hum! Que deleicia! Ou antão, ua espetadeinha de vaca tenra, daquelas qu’o sr. Gregôrio serve na casa dele, o môlhe de sangue pingando pelo pau de loiro abaixe, com meilhe freite e selada. Einté me dá ua roeza na boca do estômago. E p’acabar o manjare, porque nã provar um bolo de castanhas? Se for caseiro, inda mai bom. Ah! Estepeilha! O pior eia se dá da chorreica! Mas cá deigue ua cousa: Oh! Diache! É bem melhor qu’um pau p’lo olho dentro, nã eia verdade? Credo, abrenuncie! Parece que já tou senteindo um ardor por reiba do pente! Ah! mãei, qu’ o cagaço!  Eu cá nã sei, mas daquei a nada, o sr. Gregôrio… a modes qu’ele eia o festeiro desta celebração, dá-me mas eia ua resonda. Eu tou a caçoar! Ah! Senhores, e nã há gente qu’eingeita de comere só pa nã f’care embalamado. Eu einté feique engulhado. Merece mas eia um malhão. Alhe, eu vou mas eia fechare a matraca antes qu’amecês, aí bem aboseirados, pense que mora o vento no meu jueize e me mande descascar semeilhas e deigue:
- Aquele injúrio desplantado veio aqueim mas eia cagar de saco. Vai mas eia atupeir ui grades no poio.
Nã eia verdade, nã Senhore. Tou a caçoare! Podeia-se tar pr’aqueim a bilhardare de tantos sabores tradeicionais desta terra de bons ilhéus. Mas que serve eisso? A “conversa não enche barreiga”. Antes qu’acabe e ui senhores nã atreme nem gerno da meinha faladura, amecês que atreme no que lhes deigo: “O que se leva desta veida eia o que se come e o que se bebe”. Já asseim falavam os nossos anteigos. E a gente se deve aprender é dos mais velhos, que destes mai novos… _ Aie Jasus, Maria e Josia!… Aqueilhe eia palrar demais p’o meu gosto. Eia só cagança por veia de um canudo de cartão. Inda têm tanto qu’aprender e um rôr sacas de meilhe p’a engoleire. Afiuso a amecês todos qu’eia verdade, verdadeinha. Verdade pura sagrada. E nã se esquêce: “Cordeiro manso mama a sua e mama a alheia”. Asseim cum’asseim, plui modes qu’eu veijo eiste aqueim, ninguém se vai reinar e fazer à rebendita. Aie, o que sereia a veida sem se leicare! Cada um vai-se apastorando cu’ma Salve Rainha, qu’eisto nem todolui deias eia “Deia de Festa”. E… me desculpe se m’eimbaracei na veida dui senhores, mas pense que nã agravei neinguém. Só f’care c’ua roeza na barreiga. Mas s’aconteceu, nã foie cum eintenção."


FIM

Autor: Lídio Araújo

23 outubro 2012

Conferência sobre 'Defender a Gastronomia Madeirense'

Academia Madeirense das Carnes organiza conferência sobre 'Defender a Gastronomia Madeirense'

'Defender a Gastronomia Madeirense' é o tema da conferência-debate que a Academia Madeirense das Carnes/ Confraria Gastronómica da Madeira está a organizar para Janeiro.
Em Outubro, Novembro e Dezembro estão marcadas várias presenças desta academia em Capítulos organizados por diversas confrarias:

Outubro
- XXXVIII Capítulo Geral e XVII Geral de Outono da Confraria dos Enófilos e Gastrónomos de Trás-os-Montes e Alto Douro.
- Capítulo da Confraria da Pedra, S. Tirso.
- Participa em Vila Nova de Poiares no acto eleitoral para os órgãos sociais da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas.

Novembro
- Capítulo da Confraria da Marmelada de Odivelas.
- I Congressos das Confrarias Ibéricas, Guimarães.
- Capítulo da Confraria Gastronomia de Santarém.
- Capítulo da Confraria do Bucho de Arganil.
- Capítulo da Cofradia del Vino de Tenerife e de Canárias.
- VII Capítulo da Cofradia del Vino Reino de la Monastrell, Espanha.

Dezembro
- Capítulo da Confraria Nabos e Companhia, Mira.
- Capítulo da Confraria do Cabrito e da Serra do Caramulo.
- Capítulo Anual dell Confraternita Enogastronomica Terre d´Abruzzo, Itália.
- Capítulo da Confraria Ovos Moles, Aveiro.

07 setembro 2012

06 setembro 2012

Anúncios 2013


Em 2013 irão ocorrer vários eventos de máxima importância e que exigem a presença da AMC/CGM:
- 12 de Janeiro nas Astúrias-Espanha,
- 8 a 10 de Fevereiro na Estónia, - 23 de Fevereiro em Salamanca-Espanha,
- 23 de Fevereiro em Bordeaux-França,
- 31 de Março em Cabo Verde.
- em data a saber em Épiros-Grécia.

Já solicitei ao Presidente da A. G. da AMC/CGM a convocação das eleições para o mês de Março e informo que não serei candidato a qualquer órgão social executivo da AMC/CGM por varias razões, nomeadamente profissionais, pessoais, familiares, politicas e de saúde.

Gregório Freitas



Enviado de Samsung Galaxy  S II

03 setembro 2012

Endereço web

Endereço web alternativo da Confraria Gastronómica da Madeira. 

  
Patrocinado por:

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28 agosto 2012

Informação de Presenças


Academia Madeirense das Carnes / Confraria Gastronómica da Madeira, informa de que estará presente em Itália no dia 6 de Setembro Capitulo da Accademia Italiana della Costina Coarezza, Província de Lombardo. Nos dias 8 e 9 de Setembro no Capitulo da Ordine dell`Amarena e del Nebbiolo de Sizzano, norte de Itália. No 15  Setembro participa na III Fiesta della Vendimia y Capitulo de la Cofradia Amigos della Viña y Vino de Baena, Andaluzia-Espanha.

A confraria da Madeira estará igualmente presente de 12 a 16 de Setembro no 21º Festival Internacional do Vinho e do Espumante de Budapeste (a presença em Budapeste já foi noticiada)

A nossa presença nestes eventos são para promover e defender a herança cultural baquica e gastronómica da Região Autónoma da Madeira.

http://amc-cgm.blogspot.com


Gregório J.S.Freitas        28 de Agosto de 2012

Confraria das Carnes vai a Itália

Confraria das Carnes vai a Itália

A Academia Madeirense das Carnes/Confraria Gastronómica da Madeira,informa de que estará presente em Itália no dia 6 de Setembro Capitulo da Accademia Italiana della Costina Coarezza,Província de Lombardo.Nos dias 8 e 9 de Setembro no Capitulo da Ordine dell`Amarena e del Nebbiolo de Sizzano,norte de Itália.No 15 Setembro participa na III Fiesta della Vendimia y Capitulo de la Cofradia Amigos della Viña y Vino de Baena, Andaluzia-Espanha.
A confraria da Madeira estará igualmente presente de 12 á16 de Setembro no 21º Festival Internacional do Vinho e do Espumante de Budapeste.

Actualizado em 28 de Agosto, às 12:45
Ferramentas
 

 

17 agosto 2012

A espetada madeirense e biografia de Francisco Silva Freitas

A ESPETADA MADEIRENSE E A SUA INTRODUÇÃO NA RESTAURAÇÃO
Breves notas históricas
Manuel Pedro Silva Freitas


Espetada é o termo utilizado, em Portugal, para designar uma técnica gastronómica na qual se colocam a grelhar alimentos num espeto. Ainda que mais frequentemente sejam utilizados a carne, é possível o recurso a uma enorme variedade de outros produtos alimentares, tais como peixe, mariscos, vegetais, etc. dependendo apenas da sua disponibilidade, cultura de cada população ou localidade, ou da imaginação dos cozinheiros.  
Este prato é encontrado em todo o mundo e assume denominações diferentes consoante o país ou ingredientes.
Na Ilha da Madeira, a espetada apresenta, contudo, algumas particularidades, não só porque, se assume como o mais importante prato típico madeirense, como, na sua forma tradicional, é confeccionado unicamente com carne de vaca e os espetos utilizados são manufacturados com ramos de loureiro.
Inicialmente, este era um prato só possível de ser apreciado nos arraiais ou romarias madeirenses, onde, para além da banda de música não faltavam as barracas para venda de carne e vinho regional. Estas festividades de cariz religioso, para além de gerarem uma grande movimentação de pessoas, uma vez que às populações locais se juntavam um grande número de forasteiros provenientes de freguesias mais longínquas, muitos dos quais pernoitavam desde a véspera para o dia da festa, constituíam momentos de particular importância não só de fé, mas também para o comércio.
Com efeito, estas festas apresentavam-se como uma das raras oportunidades para que um número significativo de locais e forasteiros pudessem comer carne de vaca, alimento que devido ao seu custo só ia à mesa da população menos abastada, “de festa a festa”.
Ainda que algumas pessoas adquirissem a carne para ser confeccionada nas suas residências, muitas, e sobretudo os forasteiros, comiam-na junto aos locais de venda, as barracas de comes e bebes, que para o efeito colocavam ao dispor dos clientes uma fogueira e espetos feitos a partir de ramos de loureiro, uma planta utilizada também para cobrir a parte inferior dos mastros das bandeiras que decoravam os locais da festa e para forrar a estrutura das barracas.
Adquiria da carne, esta era cortada em pequenos cubos que depois eram espetados no espeto e depois salpicado com sal de cozinha. Feito isto, os espetos eram colocados a alguns centímetros acima das brasas produzidas pela fogueira que era continuamente alimentada com madeira.
Depois de assada era chegada a altura de comer. Uma das pessoas pegava no espeto e ia-o colocando em posição para que as pessoas do grupo, habitualmente em círculo e de pé, fossem tirando a carne do espeto e comendo. Como acompanhamento era servido vinho, adquirido numa das várias barracas do arraial. Ainda que primitivamente o vinho tivesse sido a bebida utilizada como acompanhante da espetada, com o advento e divulgação dos refrigerantes, o vinho passou a, não raramente, ser misturado com laranjada por forma a, não só, diminuir o seu teor alcoólico, mas também a diluir o elevado grau de acidez que tinham a maior parte dos vinhos produzidos pelas pessoas e comercializados nos arraias. A pouco e pouco também a cerveja foi-se conseguindo implantar e até superar o vinho, quer ingerida de forma isolada, quer misturada com laranjada, combinação que tal como a mistura de vinho com laranjada, recebeu o epíteto de “bebida de arraial”.
Associada, durante séculos, aos arraiais, nos anos 50, Francisco da Silva Freitas faz, na freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, a sua introdução da espetada na restauração, através da criação do primeiro restaurante de espetadas na Madeira.
Começado por preparar espetada para um círculo de frequentadores do seu estabelecimento comercial e em que a carne de cada espeto era dividida equitativamente por todos, que também equitativamente a pagavam, cedo esta prática se multiplicou e pouco a pouco fez atrair até ao pequeno bar de que era proprietário um cada vez maior número de pessoas, facto que condicionou o aparecimento de um restaurante.
Ainda que Francisco da Silva Freitas nunca se tivesse preocupado com a escolha do nome a atribuir ao seu restaurante, cedo os clientes começaram a referenciá-lo como “Vides”, facto associado ao tipo de material com que era feito o braseiro para a assar a carne. A opção pelas vides para fazer o braseiro onde a carne era assada teve a ver com a sua fácil disponibilização na localidade, ou não fosse a freguesia do Estreito, uma importante região vinícola, ou melhor, o lagar da Madeira e também ao facto de ao serem queimadas não libertarem odor susceptível de alterar o sabor da carne. Posteriormente as vides viriam a ser substituídas por madeira de pinheiro que apesar de produzirem algum odor, não altera significativamente o sabor da carne e tem a vantagem do braseiro produzido ser mais duradouro e, por isso, economicamente mais rentável.
Depois do sucesso desta iniciativa, na freguesia do Estreito, a espetada como prato da restauração madeirense haveria de rapidamente se difundir por toda a Madeira, inicialmente sob a forma de restaurantes de especialidade, alguns dos quais ainda hoje existem, em que a espetada constituía o único ou o mais importante prato e depois, passando a integrar o menu habitual dos restaurantes.
O facto ter sido no Estreito de Câmara de Lobos, o local onde a espetada foi pela primeira vez introduzida na restauração madeirense, dá a esta freguesia o estatuto de berço da espetada, o que quererá dizer que visitar a ilha da Madeira e não comer uma espetada no Estreito de Câmara de Lobos, é como ir a Roma e não ver o Papa.
Ao ser criado, o restaurante As Vides, esteve primeiramente instalado na margem da actualmente denominada rua da Igreja, onde hoje se ergue o edifício do centro comercial do Estreito e onde os clientes comiam dentro barraquinhas construídas com ramos de louro. Posteriormente o restaurante mudar-se-ia, para as instalações que hoje ocupa na rua da Achada. Neste local, seguindo a velha tradição, também foram construídas barraquinhas de louro, dotadas de mesas e cadeiras, onde os clientes comiam. Um incêndio entretanto ocorrido que haveria de destruir as barracas como o próprio restaurante, levaria o seu proprietário, a na sua reconstrução, optar por outro tipo de materiais.
Com a "industrialização" deste prato, os espetos em vez de pau de loureiro, que lhes dava um sabor sui generis, passaram a serem confeccionados com ferro ou alumínio e do acompanhamento passaram a fazer parte outros ingredientes, nomeadamente a salada, a batata e o milho frito e ainda o bolo do caco que, de certa forma viria a substituir o pão caseiro, algumas vezes disponível nos arraiais. O "tirar a carne do espeto e comer à mão" viria a ser substituído pelo garfo e a faca.
Relativamente ao tempero, primitivamente temperada unicamente com sal, juntar-se-ia depois alho e eventualmente a pimenta chamada "da terra" ou seja fresca e folhas de loureiro, sempre os ramos desta planta não pudessem ser utilizados como espeto. Por outro lado, para garantir uma melhor homogeneização dos vários temperos estes passaram a ser misturados com a carne antes desta ser colocada no espeto.
Dados biográficos de Francisco da Silva Freitas
Francisco da Silva Freitas, é natural da freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, onde nasceu no dia 6 de Setembro de 1922. Tendo sido o filho mais novo de João da Silva e de Antónia de Jesus Figueira, tal acabaria por condicionar a permanência na casa de seus pais, onde haveria constituir família e onde, a par da sua actividade agrícola, viria a explorar um pequeno bar familiar. Nos anos 50 do século XX viria a introduzir a espetada, até então só confeccionada em arraiais, na restauração madeirense, surgindo desta forma, o seu bar, transformado no restaurante “As Vides” como ex-libris dessa inovação.
Do seu casamento, celebrado no dia 17 de Janeiro de 1949 com Cecília Gregória de Nóbrega, viriam a nascer 8 filhos, dois dos quais acabariam por dar continuidade à actividade de restauração por si criada.

Link documento original

01 junho 2012

AMC - CGM no Facebook

A Academia Madeirense das Carnes / Confraria Gastronómica da Madeira, tem agora mais um sítio na internet.

30 abril 2012

Agradecimento de presença XII Grande Capitulo da AMC/CGM

Caro Grão Mestre

Academia Madeirense das Carnes/Confraria Gastronómica da Madeira,vem por este meio agradecer a presença da vossa Confraria no XII Grande Capítulo da
AMC/CGM que se realizou nos dias 27, 28 e 29 de Abril de 2012 na Região Autónoma da Madeira. 

VEINIMAILMA ÕNOGASTRONOOMIA VENNASKOND - Estónia.
CONFRARIA DA CHANFANA - Portugal.
CONFRARIA GASTRONÓMICA O BARCO RABELO - Portugal.
CONFRATERNITA ENOGASTRONOMICA ANTICHE TRADIZIONI VERONESI - Itália.
COFRADIA AMIGOS DEL NABO DE FOZ DE MORCIN - Espanha.
CONFRARIA DO VINHO DE FELGUEIRAS - Portugal.
CONFRARIA GASTRONÓMICA O MOLICEIRO - Portugal.
CONFRARIA GASTRONÓMICA DE OVAR - Portugal.
CONFRARIA DOS NABOS E COMPANHIA - Portugal.
 

E informar de que o XIII Grande Capítulo da Academia Madeirense das Carnes/Confraria Gastronómica da Madeira realiza-se nos dias 26, 27 e 28 de Abril de 2013 na Região Autónoma da Madeira.
- dia 26 Jantar de boas vindas, 
- 27 Almoço e tomada de posse da nova Direçao para triénio 2013-2016, 
- 28 Cerimonia Capitular.


 http://amc-cgm.blogspot.com

Gregório J.S.Freitas        Região Autónoma da Madeira

29 abril 2012

Comunicação de Gregorio J.S.Freitas no XII Grande Capitulo da AMC/CGM


 XII Capítulo

Confraria Gastronómica da Madeira

Sra. Presidente da Federação, Dra. Madalena Carrito
Sras. e Srs. Confrades,
Ilustres Convidados,
Amigas e Amigos,


1- Constitui para mim uma enorme honra estar aqui, pelo décimo segundo ano consecutivo, a dar boas vindas às confrarias e entidades presentes.
Têm sido anos de grande dedicação e trabalho mas também de grande satisfação por sentir que a Confraria da Madeira mantém uma actividade permanente e continua a ser participante activa na vida do movimento confrádico;

2- Apesar de estar satisfeito com o trabalho desenvolvido, gostava de convidar os nossos confrades a assegurarem uma maior participação nas actividades da Confraria e pedir mais participação dos mesmos nas presenças nos convites feitos pelas outras confrarias que muito se esforçam para cá estarem;

3- Como disse, é já há doze anos que presido à Academia Madeirense das Carnes/Confraria Gastronómica da Madeira e chegou a altura de dizer claro que a confraria necessita de um novo ciclo, com novas pessoas que assumam responsabilidades, pois se tal não acontecer a confraria corre o risco de cair num marasmo que pode criar grandes dificuldades para o futuro;

4- A confraria não terá futuro se os confrades continuarem ausentes e a espera que meia dúzia decidam tudo e façam o trabalho de todos.

5- Acreditamos que, apesar de tudo, a confraria já é uma marca da Madeira na promoção e defesa da herança cultural e gastronómica do Arquipélago no resto do território português e na Europa. Por isso os actuais e os novos confrades devem pensar nos compromissos que assumiram ou vão assumir. Queremos que "toda a gente fale de nós, mas não queremos que a confraria esteja na boca de toda a gente". Por essa razão pedimos que a representem com muita dignidade. A Madeira e o movimento confrádico agradecem uma atitude simpática e ao mesmo tempo responsável.

Quero aproveitar este momento solene para deixar uma palavra sobre o movimento confrádico nacional. As palavras que se seguem não resultam de um acto de inspiração pessoal. São o resultado da reflexão que muitos de nós temos feitos e que eu assumo como sendo uma proposta da confraria da Madeira para todo o movimento confrádico nacional.


6- Como a Sra. Presidente bem sabe, a Confraria da Madeira tem apoiado e vai continuar a apoiar a actual direcção da FPCG. A Dra. Madalena Carrito e a sua equipa têm desenvolvido um trabalho de grande mérito, do qual não temos muitas vezes a verdadeira percepção. A Dra. Madalena soube criar a Federação, prestigiá-la e organizá-la.

Com a mesma franqueza com que falamos sobre a nossa vida interna, também queremos dizer claramente que defendemos que o movimento confrádico nacional e mesmo internacional terá de evoluir, pois se continuar como está corre o risco de cair na estagnação.

Aqui há uns meses o nosso movimento foi convidado a participar, e participou com gosto, num grande evento que pôs todo o país a falar da gastronomia portuguesa.
Foi um evento com qualidades e defeitos, que nos deixou muitas lições para o futuro. Mostrou que pode ser criada uma marca da gastronomia, e nós acreditamos que essa marca pode ser nossa e ter a nossa garantia de qualidade.
As confrarias gastronómicas portuguesas possuem um saber sobre a tradição gastronómica que mais ninguém tem. Podemos e devemos rentabilizar esse conhecimento único. Nós sabemos que quem traz à nossa mesa os produtos, como é que são feitos, onde é que são produzidos, por quem são produzidos, do Minho ao Algarve, nos Açores e na Madeira.
A gastronomia tradicional é um legado de séculos e não vai ser uma crise, mais ou menos longa, que a vai destruir.
As confrarias todas deviam incentivar a Federação a lançar-se, ela própria, na criação do grande evento da gastronomia portuguesa.
Para isso seria necessário registar uma marca, negociá-la e tratá-la em moldes altamente profissionais.
A Federação, e bem, conseguiu obter um estatuto de parceiro social.
Com a ajuda de todas as confrarias sócias, a Federação poderá também constituir-se um forte parceiro comercial, de tal modo que possa assegurar o financiamento autónomo das suas actividades e ainda colaborar, em termos profissionais e sempre que solicitada para o efeito, na programação, divulgação e realização dos eventos das confrarias, no respeito pelas especificidades de cada uma.
Queremos ser um parceiro social e comercial, ter uma marca, ter capacidade para participar na realização de grandes eventos e ter uma equipa profissional mais vasta capaz de responder às exigências do desafio.
As próximas eleições para a Federação são uma incógnita. São sobretudo uma oportunidade para acrescentar uma nova visão positiva para o movimento confrádico ao bom trabalho já realizado e sem o qual não poderia ser dado o salto que aqui propomos.
Queremos uma Federação ainda mais forte, mais actuante, que una ainda mais as confrarias, que tanto sabem de gastronomia e tanto podem dar a si próprias e ao país.

7- Queremos fazer deste momento uma ocasião para propostas positivas. Lamentamos que haja confrarias nacionais (poucas, é verdade) que na Europa tenham prazer em denegrir a maioria das confrarias Portuguesas e que tentam transformar o Movimento Confrádico Português num apêndice de interesses suspeitos, que de confrádicos nada tem.

8- Na presença de convidados estrangeiros, quero dizer que temos todo o interesse em fomentar relações de intercâmbio entre confrarias e federações de outros países, sejam da Europa ou de outros pontos do mundo. Não escondemos que temos um particular carinho pelos nossos amigos confrades de Cabo Verde, onde temos feito questão de estar presentes em todos os capítulos das suas confrarias;

9- A todos deixo uma palavra de gratidão pela vossa presença…

Comunicação de Gregorio J. S. Freitas no XII Grande Capítulo da AMC/CGM em 29 de Abril de 2012.

27 abril 2012

XII Grande Capitulo da Academia Madeirense das Carnes / Confraria Gastronómica da Madeira



XII Grande Capitulo da Academia Madeirense das Carnes / Confraria Gastronómica da Madeira
                                                  
Região Autónoma da Madeira

 
Programa provisório,as datas são fixas mas o programa esta sujeito a alterações.

27 de Abril de 2012 (Sexta-Feira) Jantar de boas vindas as 20h30.

28 de Abril de 2012 (Sábado) Concentração dos Confrades e acompanhantes ás 07h30 no Porto de embarque para a Ilha do Porto Santo.

        08h00    Embarque no barco Lobo Marinho
        10h30    Chegada ao Porto Santo
        12h00    Porto Santo de Honra na Câmara Municipal do Porto Santo
        13h00    Almoço num Restaurante na Cidade Vila Baleira e uma pequena visita a Ilha do Porto Santo

        19h00    Embarque no Barco Lobo Marinho com destino a Ilha da Madeira
        19h30    Jantar no Restaurante do Barco Lobo Marinho
        21h30    Chegada ao Funchal.

29 de Abril de 2012 (Domingo) Concentração dos Confrades com Traje ás 10h00 no Mercado Municipal do Estreito.

       10h15 Madeira de Honra
       10h30 Desfile pelo Centro da Vila do Estreito de Câmara de Lobos
       11h00 Missa na Igreja Matriz do Estreito de Câmara de Lobos
       12h30 Cerimonia Capitular no Centro Cívico do Estreito
       14h00 Almoço Confradico.

30 de Abril de 2012 ( Segunda-Feira ) Passeio turístico pela Ilha da Madeira e Almoço.

Nota: No dia 28 (Sábado) é obrigatório o uso do traje
          Estamos ainda a negociar o valor das estadias para o evento.

Saudações gastronómicas
Gregório Freitas

Contactos:
+351 917547094 - Gregório Julião
+351 965014491 - Alcides Nobrega
+351 912252812 - Olga Mendes       
email: confrariagastronomica@gmail.com
          gregoriusteimosus@gmail.com

06 março 2012

Lembrete para o XII Grande Capitulo da Academia

Confrade, 
O XII Grande Capitulo da Academia Madeirense das Carnes / Confraria Gastronómica da Madeira realiza-se nos dias 27, 28 e 29 de Abril de 2012. É proibido faltar.
Consulta o programa no http://amc-cgm.blogspot.com. Aproveito para informar que AMC/CGM é uma das muito poucas confrarias Portuguesas e Europeias que têm uma belíssima SEDE e um ÓPTIMO Restaurante que necessita da sua VISITA.

Enviado do meu HTC
Com tecnologia do Blogger.

 

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